O que as pessoas olham na hora do match?

Você tem uma lista de preferências ou pré-requisitos que uma pessoa precisa cumprir antes de você dar uma chance pra ela?

Recentemente eu abri uma caixinha nos stories do meu Instagram perguntando pros meus limõezinhos (que é como eu chamo meus seguidores) se eles tinham essa lista, o que continha nela e se eles estavam abertos a conhecer pessoas que estivessem um pouco ou até mesmo muito fora dessa lista.

Conhecendo meu pomar, eu sabia que não iam aparecer aquelas listas esdrúxulas e super preconceituosas que a gente vê nos aplicativos de relacionamento do tipo “se tem menos que 1,60 arrasta pra esquerda”, “se não chama cachorro de filho arrasta pra direita”, “se está desempregado não dá coraçãozinho, não vamos perder nosso tempo”, entre outras bizarrices.

Mas assumo que fiquei sim surpreendido com as respostas, tanto que acabei passando mais tempo conversando com as pessoas por DM, do que publicando as respostas e discutindo abertamente sobre elas.

Em geral as pessoas que foram socializadas enquanto mulheres responderam que possuem uma lista com algumas divisões, sendo elas: coisas inegociáveis, desejáveis e vaidades.

As coisas inegociáveis são aspectos que promovem a segurança e o respeito, os aspectos desejáveis são mais relacionados a valores alinhados, enquanto as vaidades são gostos pessoais e coisas em comum.

Todas disseram que podem até fugir da lista nos aspectos de vaidade, apesar de que não tem jeito, eventualmente as pessoas vão ter alguns traços característicos, já que é normal termos uma predisposição a gostar de um certo tipo de perfil.

Que fugir da lista nos aspectos desejáveis pode trazer pessoas com valores diferentes e acabar não gerando conexão nenhuma, enquanto fugir dos aspectos inegociáveis sempre trouxe problemas (inclusive de segurança).

Enquanto isso, pessoas que foram socializadas enquanto homens (tá eu sei, “nem todo homem”, mas sempre um homem, né? que coisa…), até falam sobre algumas características de valores e vaidades, mas que estão mais abertas a fugir dessa lista atrás de conhecer pessoas diferentes e ter novas experiências.

O componente que mais me chamou a atenção é que simplesmente não há a preocupação com segurança nos relatos das pessoas socializadas enquanto homens, o que diz muito sobre a sociedade em que vivemos.

Lógico que estamos falando aqui de evidências anedóticas de um pequeno grupo, não é um estudo científico duplo cego controlado, mas acho que se relaciona muito com outros fenômenos sociais que vemos em nosso dia-a-dia que, esses sim, já foram amplamente estudados por gente muito mais capacitada do que eu.

Vivendo na minha bolha de privilégios, eu tava preparado pra fazer um vídeo sobre a construção social do gosto, mas acabei refletindo muito mais sobre como alguns assuntos ainda são muito mais urgentes, mesmo nos dias de hoje.

Então aproveito pra deixar essa pergunta aqui: na sua opinião, o que podemos fazer pra que as pessoas socializadas enquanto mulheres e também de outros grupos minorizados possam se sentir mais seguras para conhecer gente nova e diferente? Ou, até mesmo, se isso é possível.

E, talvez, o mais importante: o que você tem feito individualmente e junto ao seu grupo de amigos?

Fiz uma pesquisa usando a caixa de perguntas no storie do meu instagram e fiquei surpreso!

Publicação original no Instagram (@tilima)

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